A REVOLTA DE QUEM VIROU ESTATÍSTICA
2008-04-27 13:00Nunca pensamos que as coisas ruins vão acontecer com a gente. Aliás, pensamos, já que não somos alienados, mas esperamos que nunca aconteçam. Ate que um dia entramos para a triste estatística do caos da segurança pública.
Sexta-feira, 21h, fomos assaltados por um garoto armado a 20 metros de casa. O marginal nos abordou de frente, puxando um revólver e nos ordenou para que esvaziássemos os bolsos, que a minha esposa passasse a bolsa e que ficássemos quietos, já que o parceiro dele, esperando numa moto estacionada ali perto, também estava armado. Enquanto isso, pessoas olhavam tudo aquilo estarrecidas, sem coragem de reagir, assim como nós. O ladrão fugiu com um belo roubo: celular, dinheiro, cartões de banco. E nós ficamos com o trauma e com a raiva. Enquanto isso, a polícia, chamada por uma vizinha que viu tudo da sua janela, não apareceu. Nós fomos, então, registrar a ocorrência na DP mais próxima. Chegando lá, a atendente - muito educada e simpática, por sinal - reclamou da justiça, que solta os marginais que a polícia prende. Ela me mostrou várias fotos de meliantes que atuam na redondeza e qual foi a minha surpresa ao ver que todos tem quase a mesma cara, mostrando que Lombroso não estava longe de ter razão.
Depois disso, o que fica é a imensa sensação de impotência. Eu e a minha esposa não fizemos mal a ninguém. Tudo o que conseguimos foi com o fruto do nosso trabalho honesto. Pagamos nossas contas, tratamos todo mundo igual e vivemos felizes. Tudo isso para que um vagabundo qualquer simplesmente nos tome, ameaçando nossa vida por um valor que não vai resolver a sua própria. Uma covardia desproporcional que abre nossos olhos para a verdadeira realidade da sociedade em que vivemos.
Até passarmos por isso, nossos ideais são magnânimos. Condenamos a violência policial, defendemos os direitos humanos e o desarmamento. Acreditamos na justiça, divina e humana, e execramos qualquer tipo de discriminação racial. Mas um episódio desses nos faz ver que tudo isso não passa de HIPOCRISIA! Uma arma que ameaça o que de mais valor tem na sua vida, as pessoas que você ama, só te faz abrir os olhos de uma vez por todas. Um pírralho, que tem metade do seu tamanho, se faz gigante e onipotente na sua frente com um pedaço de ferro capaz de tirar a sua vida e a dos seus queridos.
Desde sexta-feira, minha vida mudou. Acabou a hipocrisia. Ao entrar para a estatística, meus ideais são outros. Qualquer vagabundo de atitude suspeita que passe por mim na rua, à noite, vai ser motivo para que eu sinta raiva e medo, vai fazer com que eu fique alerta e pronto para reagir. Aquele garoto fez com que eu deixasse de acreditar na justiça e nas instituições. Fez com que eu deixasse de compactuar com quaisquer direitos fundamentais que resguardem a dignidade daquele que comete um crime. Fez com que eu rompesse o contrato social e reassumisse o poder de fazer justiça com as próprias mãos, já que o Estado se mostrou incompetente nessa função. Fez com que eu me tornasse intolerante com a desculpa da falta de oportunidade, com a miséria, com a segregação social, com a discriminação histórica e assumisse a postura do "cada um com seus problemas" Para mim, esse povo todo deve cortar uma grama, catar um lixo, lavar uns pratos e, quem sabe, estudar, tentar ser uma pessoa melhor e dar a volta por cima honestamente, como alguns fazem. Quem não conseguir, que se conforme. E quem não se conformar nem conseguir, se partir para o crime, que seja trancafiado numa jaula ou mesmo morto, porque não faz falta nenhuma.
Quem não gostou, que me processe, que me xingue, que fale o que quiser. Tenho certeza que esses são aqueles que nunca passaram por isso. Porque quem passou concorda comigo. Quem já sentiu essa raiva, essa impotência, essa revolta, sabe que as soluções que a sociedade já tentou para resolver o problema do crime se tornaram ineficazes. O que vale agora é o "cada um por si". E Deus por todos...
A partir de agora, imagens como essas não me chocam mais, me alegram.
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| Date | 2008-05-01 |
|---|---|
| By | Carlos |
| Subject | Desanimador |
A Guerra Gaúcha - CHOCANTE
Humberto Trezzi
Chocante
Num país em que a violência virou rotina e homicídios são pouco mais que estatísticas, a morte só se torna assunto obrigatório quando atinge alguém próximo. Ou quando acontece, ao vivo e em cores, na frente da gente, de tal forma que seja impossível desviar o olhar.
Foi o que aconteceu ontem com a fotógrafa Adriana Franciosi, de Zero Hora. Encarregada de registrar o cotidiano das mães de periferia, muitas delas com filhos envolvidos na criminalidade, a colega topou de frente com um criminoso em ação. Entre o susto dos tiros e o flagrante da foto se passaram segundos que parecem eternidade, para ficar no chavão. Adriana não vacilou e conseguiu um daqueles registros que ficam na história. O jornalista Moisés Mendes, que a acompanhava, tentou ainda ajudar um dos homens feridos pelo atirador. Missão difícil. Chocante. Muito diferente dos filmes a que todos estamos acostumados a assistir.
O pior é saber que estas cenas se incorporam cada vez mais ao cotidiano dos gaúchos. Quatro vezes ao dia, segundo as estatísticas. Por que tombam tantos nessa guerra que não diz a que veio? Especialistas culpam o culto às armas, muito forte no Rio Grande do Sul. Muito armamento comprado legalmente vai parar na mão de ladrões e, dali, serve para os acertos de contas do submundo.
O governo estadual anunciou um mutirão para esclarecer crimes graves, que começou por Uruguaiana. Que seja ampliado. Mas isso não basta. É desanimador saber que, com um sexto da pena cumprida, um homicida tem direito a regime prisional semi-aberto - o que equivale a ganhar as ruas durante o dia, para trabalhar ou para cometer novos crimes. Urge mudar as leis. Se a punição continuar fraca, banal continuará a morte.
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| Date | 2008-05-01 |
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| By | mayora |
| Subject | Re: Re: credo... Adolfo era colher de chá, pelo visto... |
As afirmações de Luciana sobre Moche e seus seguidores são lamentáveis. Primeiro porque Moche não possui seguidores, creio que não pretenda possuir, pois não é pastor. O que ocorre é que diversas pessoas procuram superar o senso comum, discordar do Lasier Martins, e por isso unem-se no intuito de pensar, ler textos, observar o contexto no qual vivem e construirem um entendimento muito mais complexo do que aquele que pensa, por exemplo, que estudar é não fazer nada. Sobretudo porque, estudando, foi possível perceber que não há dicotomia entre teoria e prática, já que o poder necessita do saber e vice-versa. Luciana deve achar que Foucault é uma bobagem, então nunca pensou sobre isso.
2) O desabafo da vítima é plenamente compreensível enquanto desabafo, por isso não o considerarei sério a ponto de comentá-lo.
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| Date | 2008-05-01 |
|---|---|
| By | MASSACRE |
| Subject | Direitos humanos? |
BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO!!!
Antes que o santíssimo Moche ou alguém de sua prole venha dizer que "tenho dois critérios dependendo da situação"...
Não sou nem nunca fui a favor de desarmamento... Desarmamento só serve pra tirar as armas das mãos de pessoas honestas, que por ventura podem vir a precisar... Também não sou a favor de que andemos armados pelas ruas, "metendo bala" na cara de quem achar que deve; e também não sou a favor de pena de morte.
"Que contradição", devem estar pensando os hipócritas que acham-se superiores humanistas...
Acho que o sistema como está não funciona! Estamos a um passo de precisar voltar à situação de necessitar um "toque de recolher", com exército nas ruas patrulhando as vias... Falta retaliação!
É muito fácil dizer que "a culpa é de quem não dá esmola no semáforo", quando na verdade, o meliante se sente o todo poderoso por fazer o que quer. NADA justifica a criminalidade! "Os marginais assaltam porque não têm dinheiro". Alguém aí já foi assaltado por um inválido que não tem condições de pegar uma enchada e capinar um terreno? Duvido muito... Pode faltar emprego, mas SERVIÇO, "falta" pra quem quer usar essa desculpa!!!
Qual é o próximo "argumento"? Que os estupradores usam da força porque tem baixa auto-estima e sentem que nunca vão conseguir ter relações sexuais com uma mulher como a violentada???
Como disse antes, sou contra pena de morte, mas acho que viria muito bem a calhar prisão perpétua com serviços forçados! "Mas os direitos humanos proíbem..." E onde estão os Direitos Humanos quando o Fabian (assim como outros) foi assaltado? Onde estavam OS MEUS DIREITOS COMO SER HUMANO ao ser agredido de forma brutal por dois indivíduos armados que nunca vi na vida, sem um único motivo a não ser a "curtição" de espancar alguém?
Deveríamos ter grupos de extermínio circulando pelas ruas, isso sim! Apelações, julgamentos, trinta anos esperando por uma possível pena de morte não adianta! Estamos em Guerra, e o inimigo esta "vencendo por WO".
Se "violência gera violência", os oprimidos têm direito de tomarem posição de opressores! Não, eu não me emociono com cenas de linchamento e espancamento, nem nunca me emocionei! Não mudei de opinião depois de sofrer agressão gratuita... Apenas tive meu ponto de vista exponencialmente reforçado!!! Duvido que os elementos que inventaram de me espancar de graça, teriam coragem de me encarar sozinhos e desarmados (e sou menor que ambos)!!! Pura covardia e falta de hombridade...
É muito fácil querer ser uma Madre Tereza, como já foi aqui citado, e ignorar o livre arbítrio de cada um! Já passei fome, já vi pessoas que amo passarem por dificuldades diversas, e NUNCA desci ao ponto de agredir de qualquer forma outras pessoas. Cheguei ao ponto de catar beldroega (espécie de mato) em quintal pra comer, trabalhei em vários tipos de serviço braçal... E por que, então não cheguei ao ponto de esmolar ou assaltar? Porque sou uma pessoa "estudada", tendo segundo grau completo por escolas públicas? A resposta é muito simples, e é a resposta para todo o dilema aqui apresentado: ESCOLHAS! Se alguém escolhe ser mau, deve ser punido. E não me venham com hipocrisia ao querer debater o que é ser "bom" ou "mau". Se dependesse da necessidade, ser pobre seria sinônimo de ser bandido (o que, obviamente, não é verdade)!
Digo e repito... BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO!!! TEM QUE IR PRO PAREDÃO MESMO!!!
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| Date | 2008-05-01 |
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| By | Luciana |
| Subject | Para o Daniel |
Meu caro, não fique procurando cabelo em ovo, ok? Qualquer babaca vê que errei na digitação. Mas você, que é um intelectualóide de CADEIRA não é capaz de perceber que a palavra é CADEIA. E não confunda o que eu disse. Vá lá e releia bem bonitinho, tá? Vou lhe poupar e vou repetir: Esse Moche deve ser um baita porta de cadeia pra gostar tanto de bandido. Eu não estou confundindo advogado criminalista com bandido. Você é que está dizendo isso. Porta de cadeia GOSTA de bandido porque é quem o sustenta. É por isso que se usa a expressão pejorativa. Há uma grande diferença entre um advogado criminalista sério e um porta de cadeia. Pena que você não saiba disso. E enquanto você fica intelectualizando, com a bunda sentada na CADEIRA, os marginais continuam assaltando, estuprando e matando. Bem fácil pra você!
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| Date | 2008-05-01 |
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| By | Moche |
| Subject | Re: Para o Daniel |
Luciana, deixa de ser maluca. Todo mundo é igualmente vítima da violência por aqui. Ninguém é mais "prático" que outro.
A diferença é que alguns estudam o problema, outros sugerem o chazinho da vovó para curar a doença.
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| Date | 2008-05-01 |
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| By | Luciana |
| Subject | Re: Re: Para o Daniel |
Tenho lido as pérolas que escrevem aqui e acho que o conflito se estabeleceu justamente por isso: Moche e seus discípulos PENSAM demais, REFLETEM demais, ESTUDAM demais, PESQUISAM demais, OBSERVAM demais. E o que REALIZAM?? Nada!!!! Como é fácil entrar numa discussão dessas com o traseiro colado na cadeira! Vocês têm a solução para o problema, pelo tanto que se empenharam na defesa dos marginais. Mas se encolhem pra qualquer ação. Só fazem pensar. E ainda não se deram conta de que seus pensamentos demagógicos não resolvem nada. Parecem políticos em campanha.
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| Date | 2008-05-01 |
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| By | Daniel |
| Subject | Re: Re: Re: Para o Daniel |
Luciana, lógico que vi que era erro de digitação. Apenas aproveitei para estabelecer uma diferença entre porta de cadeia e advogado. Se gostam de bandidos porque os sustentam, eu não sei, mas não é possível achar que só porque uma pessoa pensa diferente da maioria que ela vai adorar bandido. Não entendi qual a idéia desse argumento, onde você queria chegar com ele, mas enfim... peço desculpas se a utilização do erro te ofendeu! Não era a minha intenção, em momento algum.
Para REALIZAR, é preciso muito mais do que prender gente. Eu não prendo ninguém, nem você (creio eu), mas pelo menos não minimizo a questão, não penso em uma lógica de causa-e-efeito. Talvez a simplicidade com que se pensa nos problemas complexos é que esteja prejudicando a nós todos. Não se deixe levar pelos discursos fáceis, pois (infelizmente) não há saída fácil.
ODEIO violência. Odiava antes mesmo de ser vitimado por ela. Qualquer um que seja violentado é motivo para que algo seja feito. Mas para que seja feito, não basta sair prendendo, atirando ou matando: é preciso pensar, refletir, estudar, pesquisar, observar e, principalmente, DIALOGAR. Impor uma resposta penal a alguém, sem ao menos tentar conversar com o acusado, é complicadíssimo!! Não precisamos descobrir os motivos dele para o crime, mas pelo menos podemos tentar sair dessa lógica crime-castigo que (agora você vai ter que concordar comigo) NUNCA DEU CERTO!
Se todo esse sistema policial e penal nunca deu certo, por qual motivo devemos insistir nele? Para gerar ainda mais violência? Ainda mais revolta? Revolta dos assaltados (como o Fabian, por exemplo) e dos assaltantes, quando presos (eis que submetidos a humilhações e violência exagedaras). Como se a prisão e a humilhação que ela carrega, por si só, já não fosse suficiente... mas isso é outro assunto...
Voltando: como eu disse antes: o assalto é apenas a ponta da violência. Antes disso, muitos outros episódios de violência certamente aconteceram com os assaltantes. Com o Fabian, com você e comigo, ao longo de nossas vidas, certamente tais episódios não ocorreram (pelo menos com tanta freqüência) - daí a nossa repulsa com esses atos violentos. E aí? A culpa é de quem?! Eis a questão: não precisamos saber de quem é a culpa, mas COMO AGIR para evitar isso tudo. Nisso você tem razão: é preciso REALIZAR. Concordo.
Mas, para REALIZAR sem cair nas mesmices de sempre, sem incorrer nos mesmos erros que a história nos mostra (como, por exemplo, isolar pessoas e/ou usar da violência para puni-las), é preciso PENSAR. E o PENSAR não é tão simples quanto parece...
Talvez os nossos netos possam usar as nossas idéias para alguma coisa. Talvez, pois até lá, elas já poderão ter amadurecido. Mas aí poderá ser tarde, né?! Uma pena, mas (infelizmente, repito) não é tão simples assim passar do plano ideal para o plano concreto da ação.
Parece-me que todos concordamos que a violência é uma bosta, mas estamos discordando quanto à forma de enfrentá-la e pensá-la. Não abro mão de certos princípios (de não-violência, por exemplo) para a discussão, mas também não sou o dono da verdade e, quem sabe, esse "diálogo coletivo" possa esclarecer alguma coisa para mim...
Abs,
Daniel
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| Date | 2008-04-30 |
|---|---|
| By | Obina |
| Subject | A Barbárie, Ah, a barbárie... |
Já dizia a genial filósofa Hannah Arendt (Eichmann in Jerusalem) que a maldade não decorre de algum cálculo maligno dos maus, não possui - ao contrário do que a maioria pensa - nenhum traço de genialidade, de brilho cruel ou algo do gênero. A maldade, dizia a filósofa, assombra exatamente pelo fato de ser tediosa, insossa, sem brilho. A maldade, enfim, assusta exatamente por ser BANAL. A maldade começa a acontecer exatamente quando os que têm a capacidade de pensar, de refletir, sucumbem aos mantras tranquilizadores da opinião da maioria. Daí o célebre conceito, que é o subtítulo de seu livro "a report on the banality of evil", ou em bom português, um relato sobre a banalidade do mal.
A maldade na Alemanha nazi-fascista não se deu porque um bando de loucos - sim, ótimo para nossa consciência considerarmos loucos, quanto mais afastados de nós, melhor - assumiu o poder e passou a exterminar judeus como piolhos, a maldade, a grande maldade, a maldade com M maiúsculo se deu apenas porque os "cidadãos-de-bem", os pagadores de impostos, a classe média instruída do país mais bem educado do mundo parou de pensar, inapelavelmente, inexoravelmente aderiu aos mantras tranquilizadores da SS e do Führer e deixou que o maior genocídio da história humana tivesse lugar sob os seus bigodes germânicos em um clima de paz e tranquilidade social.
Por trás da arma há uma fome muito maior do que a de comida. Há uma fome de ser reconhecido como gente. Por trás da arma que aponta - e por vezes mata - há o peso de uma sociedade que sabiamente decreta que a personalidade da pessoa está nos bens que a mesma possui, logo, quem tem mais É mais, e quem não tem, NÃO É. Por trás da arma está a desumanidade daqueles que, aos olhos da sociedade dos "homens-de-bem" não são humanos, e só são reconhecidos - e percebidos - socialmente exatamente por meio da violência. É somente então que eles passam a EXISTIR para nós.
Longe de querer fazer apologia à violência, de querer justificá-la. Apenas se busca entendê-la. Recusando os mantras do pensamento pronto que trazem a certeza de se estar certo pela imbecilidade do conteúdo e pelo elevado número de pessoas que assim acreditam ou pensam (sic). Como dizia Max Weber, "Nem rir nem chorar, mas apenas entender".
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| Date | 2008-04-30 |
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| By | G.D. (http://longedemaisdascapitais.blogspot.com) |
| Subject | Re: A Barbárie, Ah, a barbárie... |
Incrível.
Não tiro a razão de tu te indignar com o assalto sofrido e todo o temor produzido.
Mas daí a ficar ponderando em considerações raivosas estamos a um passo do egoísmo puro e simples. Ao invés de pensar com ira na situação, depois que tu levou o espeto, temos que pensar nela antes e no que fazer para minimizá-la e no que ela nos leva a pensar sobre o mundo em que estamos vivendo.
E, sinceramente, o argumento mais chinfrim de todos os possíveis para o caso foi lançado por aqui: "Tá e quero ver se fosse contigo (com a tua mãe/com a tua esposa/ com a tua filha/ etc.)?"
Para quem quiser responder todas essas questões com "bala", aviso que isso só faz legitimar o clima de guerra: se tu defender que alguém deve ser morto, não fique triste se esse alguém amanhã queira que tu morra. Guerra é guerra.
Alguém tem que parar. Se tu, e eu, e nós, somos inteligenstes, "de bem" e "não fazemos mal a ninguém", talvz seja NOSSA a responsabilidade de pensar ao invés de promover vinganças.
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| Date | 2008-04-30 |
|---|---|
| By | Daniel |
| Subject | credo... Adolfo era colher de chá, pelo visto... |
Não sei de onde estão vindo esses comentários, mas certamente é de uma conversa de bar, ou fundamentados em argumentos midiáticos sensacinalistas... também já fui assaltado (a arma era prateada e brilhava na janela do carro, que foi levado embora), e pude compreender que uma arma em punho significa muito mais do que a busca por dinheiro ou sobrevivência: significa algo bastante complexo, inapreensível se não pensado com profundidade e muita seriedade.
Defender a morte de uma pessoa é o mesmo que negar a possibilidade do erro: é querer não um humano, mas um inumano - ou um super-homem, como diria o Frederico.
Moche, a tua frase foi uma pílula de alívio em meio a tanta raiva e vontade de matar: "Não. Quando ameaçam a vida DE QUALQUER PESSOA, sua visão de mundo deveria mudar."
Sim: só quando a dor nos atinge é que passa a fazer mal e passamos a querer tratá-la. Enquanto atinge somente os outros, aí não tem problema.
O mais engraçado seria pensar em como essas pessoas se comportariam caso fosse o contrário: se elas estivessem na situação dos assaltantes, teriam feito o quê? Não teriam assaltado? Sim, falar do conforto do sofá de casa, inserido em um prédio vigiado 24h, cercado por grades e sistemas de segurança privada é realmente bastante fácil... quero ver é saírem prá rua, conhecer não a ponta da violência (representada pelo assalto), mas as suas possíveis origens (já que falar na ORIGEM ÚNICA é impossível).
E ao autor do post acima (Fabian), digo que chega a ser notória a contradição em que tu acabas: se tu dizes que defender o desarmamento é coisa de gente ingênua (como eu, por exemplo, e também tu, antes do episódio violento), como podes querer que o assaltante não esteja armado? Veja bem: tu insinuas que desarmar a sociedade não é a solução, mas ao mesmo tempo estás absurdamente indignado (como eu fiquei também) por ter sido assaltado À MÃO ARMADA!! Percebes a contradição?! Aquela arma não chegou na mão dele por acaso: ao querermos armas para nos defender, devemos saber que todos terão acesso a elas também!! ACORDEM!!
Pessoas, o olho por olho, dente por dente não é resposta: é tapa-buracos. É isso o que estão fazendo com a nossa segurança pública: tapando buracos, com ações (policiais, evidente, pois pensar para além dessa lógica é quase impossível aos nossos brilhantes gestores públicos) patéticas, que não enfrentam de frente o problema central no país: o não reconhecimento de TODOS como pessoas, e necessariamente PESSOAS DIGNAS justamente por isso: por serem humanas.
Enquanto isso perdurar - e essa mentalidade de "matemo-nos todos uns os outros" a sustentar - nada mudará. Se vocês, que estudam, pensam, sabem escrever, etc., acreditam que matar é a solução, então, foi-se a possibilidade de diminuirmos a violência, de uma vez por todas...


