A VALENTONA
2008-05-03 14:16
Filminho antiguinho mas que merece ser resenhado. Valente (The Brave One, Neil Jordan, EUA, 2007) requenta a velha fórmula dos filmes de "vigilante" como Desejo de Matar. Erica (Jodie Foster, linda e, como sempre, matando a pau) é uma radialista que está noiva do médico David (Naveen Andrews, o Sayid, de Lost). Os dois vivem um conto de fadas. Passeam por Nova Iorque felizes com o seu cachorro, confiando na fama da cidade de ser a metrópole mais segura do mundo, ao ponto de dar uma volta no Central Park de noite. Porém, lá são atacados por uma gangue, que os agride ferozmente, causando a morte do noivo. Erica, depois de passar um tempo no hospital, tenta retomar o curso normal da sua vida. Mas, para se sentir mais protegida, acaba comprando uma pístola. Não demora muito para que ela, frente à novas situações de perigo, faça uso da arma, acabando por evoluir do sentimento de medo para o de vingança, se tornando uma justiceira das ruas de sua cidade, sempre em busca da punição dos responsáveis pelo seu flagelo.
Eu cresci vendo o clássico de Charles Bronson nas madrugadas do Domingo Maior, mas até há pouco tempo atrás, o filme só me servia de entertenimento, puro, simples e inocente. Não dava pra levar a sério um carinha pegando numa arma e limpando as ruas da sua cidade. Era muito Batman pro meu gosto. Mas qualquer pessoa que tenha sido vítima das atrocidades que acontecem aos montes pelas ruas de nossas metrópoles não deixa de sentir a mesma mistura de raiva e medo da protagonista. O politicamente correto é deixado de lado e é impossível não se regozijar quando da cena final (ok, acabei de contar o fim do filme, mas mesmo assim ainda está valendo). O filme é duro, seco e verdadeiro, honesto como poucos, sem falsos moralismos.
A realidade é nua e crua e vê-la cara a cara, seja na vida real, seja no cinema, é triste. Será que o fato de um filme desses ser feito nos dias de hoje não é um reflexo da indignação da sociedade frente à incompetência do Estado em resolver o problema da segurança? Será que não estamos reassumindo o papel de nos protegermos dos nossos predadores? Será que a justiça, como ela se configura hoje, é suficiente para reparar os danos que nos são causados? Ou, como diz o slogan do filme, "how many wrongs to make it right"? Às vezes a resposta mais simples é a mais efetiva.
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