MICHAEL CLAYTON
2008-02-12 02:09
George Clooney é, para todas as mulheres do mundo, incluíndo sua esposa, sua mãe e sua filha, um galã. Mas, para nós, machos com "M" maiúsculo, é apenas um cara bacana, que vai ficando mais bacana a cada filme, a cada escolha que faz. Apesar de ser um ator que ficou conhecido pela TV, Clooney mostrou inteligência ao conduzir sua carreira, constituíndo um currículo respeitável como ator e diretor. Em Syriana (2005) já levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, tendo também sido indicado no mesmo ano para Diretor e Roteiro Original com Boa Noite e Boa Sorte. Agora, em 2008, comprovando sua sabedoria em escolher bons papéis, Clooney é forte candidato ao Oscar de Melhor Ator por Michael Clayton (Tony Gilroy, EUA, 2007).
O filme conta a história do personagem título, um ex-promotor que trabalha para uma grande firma de advocacia. Clayton é um "zelador", um cara que resolve pepinos com os clientes e até mesmo com seus próprios chefes. Em meio a um caso milionário, em que a firma onde Clayton trabalha defende uma empresa de fertilizantes acusada de vender deliberadamente um produto venenoso, o advogado responsável, Arthur Edens (Tom Wilkinson, perfeito), tem um surto de consciência e resolve virar a casaca, indo para o lado das vítimas. Clayton, chamado para resolver o problema, acaba se deparando com a sujeira que caracteriza as disputas judiciais envolvendo grandes corporações. Mesmo que Clayton, por necessidade, mantenha-se sempre ao lado de seus empregadores, ele acaba sendo engolido pela situação e se tornando também uma vítima.
(Spoilers adiante. Se você não viu o filme ainda, cuidado!) É aí que Michael Clayton diferencia-se da maioria dos filmes do gênero. Escapando do clichê do advogado-com-crise-de-ética-que-vai-em-busca-da-redenção, Clayton é simplesmente um cara que está mais preocupado em resolver seus assuntos pessoais - uma dívida antiga com agiotas - do que ajudar o amigo e as vítimas. Sua redenção nada mais é do que uma vendetta do tipo "não mexe com quem tá quieto". Na cena final, ele resume sua personalidade na seguinte fala: "I'm not the guy you kill. I'm the guy you buy! Are you so fucking blind that you don't even see what I am? I sold out Arthur for 80 grand. I'm your easiest problem and you're gonna kill me?". Clayton mostra que não era um herói, era apenas cara baratinho, sem ética, sem conflitos morais, mas que quando foi provocado, a raiva foi tanta que, como não tinha mais nada a perder, levaria todo mundo para o buraco. Ao apresentar seu personagem principal de tal maneira, o filme agrega um realismo absurdo, sem cair na vala do inverossímil, trazendo o seu "herói" para um plano mais próximo da maioria dos mortais. Pergunte para você mesmo se você não faria a mesma coisa que ele?
Parte desse ar realista se dá graças a George Clooney, que se despe do sorrisinho sacana de Danny Ocean para fazer de Clayton um anti-herói acabado e desiludido. Sua interpretação é profunda, com ênfase nas entrelinhas do olhar e, nas poucas vezes em que o personagem se exalta, o timing e a intensidade são perfeitamente coerentes com o seu espírito de "eu vou tirar o meu da reta". Apesar disso, talvez ainda não seja o suficiente para Clooney levar a estatueta de Melhor Ator, mas certamente é mais um grande passo para uma carreira que, mesmo já consolidada, ainda tem muito a crescer.
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| Date | 2008-02-12 |
|---|---|
| By | Camila |
| Subject | "Conduta de Risco" |
Adorei o filme! E mais ainda a resenha. Sobre o caráter do mocinho, acho que eu faria a mesma coisa também.
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| Date | 2008-02-12 |
|---|---|
| By | Maíra |
| Subject | Re: "Conduta de Risco" |
hm, eu não acho o Geoge Clooney um galã, só acho ele um cara bacana.. isso não quer dizer que sou lésbica, só que ele não faz o meu tipo... hhe
parece legal o filme.
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| Date | 2008-02-21 |
|---|---|
| By | Bia |
| Subject | George Clooney |
Faz meu tipo. Preciso ver o filme.
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