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NO COUNTRY FOR OLD MEN

2008-02-12 02:03

Sou declaradamente fã de filmes comerciais. Não acho que o simples fato de um filme ser entendível, facilmente digerível, seja depreciativo. Por isso, vários dos chamados "sucesso de crítica", como para a grande maioria das pessoas, simplesmente não me agradam. Um dos exemplos clássicos disso é Fargo, considerado o grande filme dos irmãos Joel e Ethan Coen. Enquanto alguns entendidos acham o filme genial, engraçadíssimo, eu acho um saco, difícil de aguentar até o fim e completamente sem graça. E a história se repete agora, com todo o hype de No Country For Old Men (Joel e Ethan Coen, EUA, 2007).

Franco favorito ao Oscar de 2008, como se tem visto no quaquilhão de prêmios que arrecadou até agora, No Country... tem sido considerado o renascimento dos filmes de faroeste - como foi dito sobre Os Imperdoáveis em 1992, esse sim, um filmão. Não dá pra negar que é uma história típica desse estilo de filme contada de um jeito moderno e original. Porém, o fato é que, salvo por alguns aspectos, No Country... é tão sem graça e monótono quanto Fargo. O roteiro é fraco e pretensioso, no sentido de deixar algumas pontas soltas para os bons entendedores que, na verdade, são apenas buracos na história. Além disso, é mais um exemplo de filme que, quando entram os créditos finais, deixa aquela impressão de inacabado.

No entanto, No Country... é ainda um pouquinho melhor que Fargo, principalmente pela atuação arrebatadora de Javier Bardem. Ele, sozinho, vale o filme, apesar da inexplicável caracterização de seu personagem (cabelinho de Beiçola, sabe?). Bardem dá ao assassino Anton Chigurh um ar de frieza sádica, de ausência de moral, talvez visto apenas no Hannibal Lecter de Anthony Hopkins. Só que, enquanto Sir Hopkins empresta um certo charme ao seu assassino, Bardem tem um estilo completamente diferente. Com um gestual cru e frio, ele dá a impressão de que vai, a qualquer momento, enfiar uma faca na barriga de qualquer personagem que esteja com ele na cena, sem nenhum tipo de questionamento, sem nenhuma culpa, sem mover um músculo da face. É apenas uma máquina fria de matar. Em se tratando da interpretação de um psicopata, é tudo o que se espera. Além de Bardem, a fotografia é um show à parte, ajudando a criar o clima meio bucólico, meio desesperançoso da história.

Mas um bom filme não é feito de bons pedaços, o que interessa é o conjunto. E nesse caso o conjunto deixa a desejar. No Country... é daqueles filmes que a gente fica questionando se, com exceção de uma ou duas cenas bacaninhas, valeu a pena o dinheiro do ingresso e as duas horas e meia perdidas na frente da tela.

 

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